Executivo comenta avanço da tecnologia no varejo da construção

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Executivo comenta avanço da tecnologia no varejo da construção

Com queda de 2,5% no faturamento, setor de materiais de construção aposta em tecnologia para reduzir custos e ganhar eficiência.

A desaceleração do mercado brasileiro de materiais de construção tem levado empresas do setor a buscar alternativas para reduzir custos e preservar a rentabilidade. Em um ambiente de consumo enfraquecido e margens pressionadas, soluções como terminais de autoatendimento, aplicativos de controle de entregas e sistemas integrados de gestão ganham importância nas estratégias do varejo para aumentar a produtividade e compensar parte dos efeitos da retração nas vendas.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), o faturamento real do setor industrial recuou 2,5% entre janeiro e setembro de 2026, em comparação com igual período do ano anterior. Somente em setembro, a retração foi de 1,1% na comparação anual. O resultado levou a entidade a revisar sua projeção para 2026, de crescimento de 0,5% para queda de 0,8%. O cenário também apresenta desafios para o comércio. Levantamento do Instituto de Pesquisas Anamaco, realizado em agosto de 2026 com 600 estabelecimentos, aponta que 51% dos varejistas registraram estabilidade no faturamento durante o primeiro semestre, enquanto 29% relataram queda e apenas 20% observaram crescimento.

Diante desse cenário, a adoção de ferramentas digitais deixa de estar associada exclusivamente à modernização do atendimento e passa a integrar as estratégias de controle de despesas. A automatização de processos comerciais, a organização das entregas e o acompanhamento dos estoques podem contribuir para reduzir retrabalho, evitar deslocamentos desnecessários e melhorar o aproveitamento dos recursos disponíveis.

Para Luis Augusto Barbieri, diretor comercial da INFOX Payments, que atua com soluções tecnológicas para gestão empresarial por meio da vertical INFOX Varejo Avançado, a pressão sobre os resultados exige maior controle das operações.

“O varejo de materiais de construção trabalha com uma grande diversidade de produtos, custos logísticos e diferentes margens comerciais. Em um cenário de demanda pressionada, o empresário precisa compreender não apenas quanto vende, mas quanto cada operação efetivamente representa para o resultado. A tecnologia permite identificar desperdícios e tomar decisões mais consistentes”, afirma Barbieri.

Autoatendimento e controle de entregas ajudam a reduzir despesas

Entre as alternativas para melhorar a eficiência operacional estão os terminais de autoatendimento, que permitem automatizar etapas da jornada de compra, como a consulta de produtos, preços e disponibilidade de mercadorias. Dependendo da configuração adotada, esses equipamentos também podem apoiar a realização de pedidos e pagamentos, reduzindo a necessidade de intervenções manuais em atividades repetitivas.

Outra frente de redução de custos está na logística, uma das áreas mais sensíveis do varejo da construção. Diferentemente de outros segmentos comerciais, as lojas de materiais de construção frequentemente precisam administrar entregas de produtos pesados, volumosos ou destinados a obras com horários e condições específicas de recebimento. Nesse contexto, aplicativos de controle de entregas podem auxiliar na programação de rotas, no acompanhamento dos pedidos, no registro de ocorrências e na confirmação do recebimento das mercadorias. A digitalização dessas etapas facilita a identificação de atrasos, divergências e falhas operacionais que podem resultar em viagens adicionais, reentregas e aumento das despesas com transporte.

Gestão integrada amplia controle sobre custos e margens

A administração de mercadorias com diferentes velocidades de comercialização representa outro desafio para o varejo da construção. Produtos de baixa rotatividade podem comprometer o capital de giro, enquanto falhas no abastecimento, na separação de pedidos e nas entregas podem gerar custos adicionais. Nesse contexto, a INFOX Varejo Avançado reúne ferramentas que integram compras, vendas, estoques, expedição, logística e finanças. Entre os recursos estão análise de lucratividade, classificação de produtos pela curva ABC, conciliação de cartões, controle de recebimentos e acompanhamento de entregas.

A plataforma também permite registrar pedidos diretamente em obras, por meio de dispositivos móveis, conectando as equipes comerciais às informações de estoque e expedição. A integração contribui para diminuir inconsistências entre o que foi negociado com o cliente, a disponibilidade dos produtos e a programação das entregas. No caso das operações logísticas, o acompanhamento digital permite ampliar a visibilidade sobre o processo de distribuição, oferecendo informações para identificar gargalos e avaliar os custos associados ao atendimento dos pedidos.

“Quando o lojista consegue acompanhar a movimentação dos produtos, os custos de entrega e a rentabilidade das vendas em um único ambiente, passa a ter melhores condições de planejar compras, negociar com fornecedores e preservar recursos financeiros. Essa integração é especialmente importante para empresas que precisam ganhar produtividade sem ampliar proporcionalmente suas despesas”, explica Barbieri.

Digitalização ganha importância diante da retração

A necessidade de eficiência também está relacionada às diferenças de desempenho entre estabelecimentos de diferentes portes. Segundo dados do Índice do Varejo Stone (IVS), divulgados pela Revista Anamaco em outubro de 2026, o comércio de materiais de construção registrou retração de 0,8% no volume de vendas em agosto. Apesar da queda mensal, o segmento apresentou crescimento de 7,8% na comparação com o mesmo período de 2025, evidenciando oscilações no desempenho do setor. Para Barbieri, a integração tecnológica deve acompanhar toda a operação, e não apenas o atendimento ao consumidor.

“Não basta digitalizar a venda se o estoque, a logística e o financeiro continuam funcionando de maneira isolada. A eficiência depende de informações integradas, que permitam acompanhar os pedidos, controlar custos e identificar oportunidades de melhoria. No varejo da construção, essa capacidade pode representar um diferencial competitivo importante”, reitera.

Com a revisão das perspectivas econômicas para 2026, a capacidade de administrar estoques, otimizar processos e acompanhar a rentabilidade tende a ganhar importância nas estratégias das empresas de materiais de construção. “Mais do que ampliar canais de vendas, o desafio passa a ser reduzir o custo de cada operação e utilizar a tecnologia para sustentar a competitividade em um mercado de recuperação ainda limitada”, conclui o executivo.

Crédito da imagem: Luis Augusto Barbieri, Diretor Comercial da INFOX

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